Histórias e significados dos Orixás

 

                           OGUM ( Rosi ou lnkossi )
 
 
 

Rei do Ferro - protetor de todos os que trabalham com instrumentos que venham dos metais, da agricultura.

Lendas :

Primeiro depois de muitas vitórias do comandante dos exércitos do reino de Odudua e sempre trazendo vitórias para a sua a cidade de Ifé, conquistou a cidade de Irê, que depois se tomou rei, mas com sua ,rida bélica deixou seu filho no trono. Daí, voltou em um dia em que ninguém falava, comia ou bebia em respeito a ele. Começou a matar aqueles que não lhe respondiam...
 

Ogum como ferreiro era casado com Oyá, que o ajudava com o fole enquanto o mesmo fazia as ferramentas, ativa o fogo na forja

Como ela levava as ferramentas para Xangô e com sua elegância e glamour, fez com que Oyá se apaixonasse por ele, ela o correspondia com olhares sensuais, acabando assim por fugir com o mesmo . Ogum revoltado pelo abandono de Oya, resolveu vingar-se. Olodumaré ou Eledumare fez com que lembrasse que era o Orixá mais velho e que era Pai de Oranian (Pai de Xangô) e que perdoasse. Porém Ogum contrariando tal ordem deixou dominar-se pelo ódio e pelo desejo de vingança e foi procurar os fugitivos. Ao encontrá-los, Oyá atacou-o para defender seus ideais e os dois se atingiram um ao outro ao mesmo tempo. A espada de Ogum partiu Oya em nove pedaços, que havia sido feita pelo próprio Ogum - a Espada - deu a condição de luta a Oya - e ela o atingiu cortando em sete, daí se tomou Ogum Megê (sete) e Oya tornou-se Iyamésan ( a mãe transformada em nove) - que se liga a nove Orum.

 

OXOSSI (kabila)

 

A grande importância é por estar ligado ao parentesco com Ogum e por ter grande presença nas ações aventureiras. Protege quem gosta de fazer expedições é hábil curandeiro, pois está muito ligado com Ossae.

1º Lenda:


Viviam em uma vasa perto das matas. Iemanjá - a mãe que cuidava da casa, Ogum que supria a dispensa com a colheita de suas plantações, Oxossi que a provia com a caça, Exu o indisciplinado e insolente que fora expulso de casa por querer comer antes dos mais velhos, inclusive do pai. Iemanjá, alertada por um Babalaô, avisou a Oxossi para não se aventurar para grandes distâncias na mata, pois havia uma feiticeira que gostava de sua companhia e poderia aprisioná-lo.
  
 

Oxossi não a ouviu e o previsto aconteceu; Ossae lhe deu um preparado de ervas para lhe tirar a memória impossibilitando de voltar para casa. Ogum ficou preocupado e foi em busca do irmão.
Ajudado por um Babalaô, Ogum venceu mais essa demanda, mas ao retomar com Oxossi, ficou tão indignado ao ver sua mãe ainda revoltada, não aceitando o retorno do filho que também se foi. Oxossi voltou a viver com Ossae e Iemanjá desesperada, transformou-se num rio e partiu para o mar.

 

 

OBALUAE / OMOLU (Kaviungo / Kingongo )

 

 

Pai da Terra / Filho do Senhor.

Omulu é considerado como anterior à época em que Odudua chegou a Terra; ele existia antes da criação do fogo na Terra.

Dono das lanças certeiras, quem era atingido tornava-se cego.
Opanije => ele mata qualquer um e come - Opa => O = ele = pá corta n = indica o particípio presente do verbo = ije = 7 dias.
Exterminado por seus oponentes quando se sentia desrespeitado mandava a peste.

Quando saiu de sua região, Tapa, para conquistar Mahi no norte do Daomé foi surpreendido, pois não encontrou nenhum guerreiro para lutar , foi acolhido com grande reverência, lhe ofereceram um banquete com todos os pratos prediletos, cercado de muita pipoca. Com isto ele se apaziguou, não combateu e mandou que fosse erguido um castelo para que morasse, prosperou tanto o lugar que ele nunca mais voltou para sua região.

 

Esse banquete foi visto por um Babalaô que informou que não deveria combater e sim o reverenciarem como um verdadeiro rei.
Lendas

1º Obaluae e Xangô = Ossae

Obaluae foi chamado ao Orum por Obatalá e pediu a Xangô que tomasse conta da terra.
Quando voltou, Xangô tinha se acostumado a tomar conta da terra e não quis devolvê-la. Obaluae se refugia nas matas com Ossae, e este aconselha a Obaluae a jogar pipocas com um certo axé sobre Xangô.
As mesmas ao bater no rosto de Xangô abriram várias feridas. Xangô então pediu a Obaluae que o curasse, sendo imposto a condição que tudo deveria ser-lhe devolvido.

 
  

 

 

OSSAE (Katende )

 

 

Sendo o orixá responsável pela retransmissão do axé das folhas através dos encantamentos, exercido com o contato da seiva com os OKUTÁS, ORI E ORIXAS.
OSSANHA => é o detentor do axé através das folhas ( éwe )

Filho de Iemanjá e Oxalá, que sempre viveu no mato por não se adaptar ao domínio dos pais sobre ele, e por isso aprendeu a conhecer as forças das folhas através do poder curativo das mesmas, sendo responsável pela cura das endemias e Obaluae pelas epidemias.
Na África é considerados companheiro de Ifá e também um adivinho? escolhe as folhas certas.
Símbolo = 7 setas, sendo uma central encimada por um pássaro - as 6 setas soldadas formam um círculo que representa o mundo, o pássaro representado pelo pombo mostra a ligação com Orumilá e para outros com Yami. 

Devido a essa ligação com Orumilá alguns dizem que este Orixá é um encanto e não pegam ORI => Orixalá - que recebeu de Olodumaré o segredo das folhas que curavam doenças, outras que deixavam a calma, outras que traziam vigor, etc.

Tudo dependia de Ossae que exigia pagamento de todo o trabalho que fazia ( cachaça, mel, fumo, etc. )

Devido a raiva que Xangô possuía por Ossae devido à guerra com Obaluae, Xangô incitou a Oyá que derrubasse as cabaças onde Ossae guardava o segredo dos pós. Iansã ventou, e com o vento espalhou todas as folhas e todos os Orixás pegaram folhas para si.
Levaram-lhe as folhas mas não os erós (fundamentos) e a mesma reclamou com Eledumare que disse que todos ainda necessitariam das rezas de Ossae para encontrar as folhas.

OXUM –MARE (Hangorô ou Angolo )

 

 

Responsável pela união da terra é o elo de ligação entre Odudua e Obatalá = as metades da cabaça = representam a própria cobra ou a linha do Equador .
De temperamento duvidoso, manso mais escabreado, sempre esconde as suas tendências, pois a serpente é dupla ou bis sexual ( comportamento e não em questão de sexo => o santo vai agir sobre o psicológico e não sobre a sexualidade. )

Representa o arco-íris devido à lenda que conta uma disputa entre um negro do Congo (Soboadã) filho de Nanã com Obatalá.

Devido ao constante mau humor de Xangô com a Oxum, a mesma resolveu abandoná-lo, indo ter com Soboadã. Xangô revoltou-se e partiu para a luta, nesta luta matou Soboadã, mas como ele era muito querido foi transformado em uma cobra que levaria água da terra para o Palácio de Xangô.
Sincretismo do arco-íris que é o corpo da serpente.

Segundo conta-se, Oxumarê era um Babalaô muito pobre e, por conseguinte, também era escravo de Olokum (deus do mar). Como o mesmo precisou de um trabalho seu e por seu alto conhecimento dos oráculos de Ifá conseguiu desfazer o mau que havia.
Recebeu um cavalo branco (símbolo de realeza para a época) e muitos búzios que o fez imensamente rico. Conta-se também que o cavalo tinha patas que saiam fogo e voava, riscando no céu o arco-íris.

3º Lenda - Nanã e os dois filhos - Obaluae e Oxumarê e o terceiro por castigo seria Exu.
Esse orixá vai se ligar em Angola como complemento de Ewá, que é Orixá que escondeu Ifá da ira de Iku sendo a parte masculina para compor este orixá => a serpente.

 

LOGUN-EDÉ (Odé , Kongobila)

 

Outros dizem que sabendo o poder das folhas, fez uma beberagem mágica se transformando em mulher tendo um caso com Ogum. Mas o mesmo após os 6 meses esqueceu de tomar a beberagem e Ogum o expulsou; ao procurar o pai, o mesmo se aborreceu e o expulsou dos seus domínios, com isto foi para cidade de Oyo onde Iansã o proclamou "príncipe" e fez com que ele bebesse novamente a porção. Sendo assim Iansã desprovida de preconceitos teve um relacionamento com ele.

Devido a este fato, Logum procura Iemanjá que lhe acolhe e pede a Oxalá que o ajude a descobrir a sua própria essência. E este passou a ser o Oxossi da pesca e vive nas matas, mas prefere os rios.

Filho de Oxossi e Oxum, com estranha beleza e de muito gênio, surge Logum. Conta-se que um dia Oxum se banhava sobre uma pedra no rio e um caçador avistou dona de real beleza com a qual concebeu Logum.
Devido às duas forças dos pais, vivia em constante dúvida entre a caça ou se acompanhava a mãe nos rios; por ter os conhecimentos do pai, havia aprendido o poder das folhas (Angola.)

Certo dia quando estava com sua mãe resolveu aventurar-se (Oxossi) indo parar no reino de Ifé, onde Ogum o ensinou a arte de guerrear .

 

IANSÃ

 

IANSÃ também chamada OYA, é o Orixá dos ventos e raios.

Além disto, e Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - um dos seus símbolos.

Guerreira, a mais agitada das Orixás femininas, foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso.

É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa, do Ilê. Suas cores são vermelho e branco, marrom terracota ou ainda, rosa.

De acordo com uma lenda Oyá Omo Mésàm (a mãe dos nove filhos) derivou o nome de Iansã.

Sua saudação é EPA HEY !

 

 

Oxum Opará


 


Em uma época onde os deuses viviam na terra, na região da Nigéria existiu duas jovens irmãs: Oxum e Iansã.
Oxum era deusa do ouro e da prata e tinha poderes sobre o ocultismo, Iansã por sua vez era deusa dos raios, tendo assim poderes sobre eles. Oxum carregava consigo o espelho que mostrava toda verdade oculta. Um belo dia Iansã muito curiosa, pegou o espelho e olhou, viu que era mais bonita que Oxum. Toda aldeia ficou sabendo disso e Oxum ficou muito brava.
Resolveu dar uma lição em sua irmã, colocou em seu quarto outro espelho, esse mostrava o lado ruim das coisas. Iansã percebendo a troca foi novamente olhar, ficou chocada com o que viu, em vez de ver sua imagem viu um monstro horrível. Entrou numa tristeza profunda e acabou morrendo.
Os deuses mais velhos descobriram a vingança de Oxum, decidiram castigá-la.
Oxum carregaria Iansã em seu corpo eternamente, seis meses seria Oxum com todas suas características e os outros seis meses seria Iansã. Oxum Opará tem em uma das mãos o espelho e na outra a espada que representa Iansã, dizem que ela é uma deusa guerreira e anda ao lado de Ogum, o deus do ferro e da estrada.

 

 

    OXALÁ (OXALUFÃ)

 

OXALÁ é o detentor do poder genitor masculino. Todas suas representações incluem o branco. E um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a formação de todo tipo de criaturas no AIYE e no ORUN. Ao incorporar-se, assume duas formas: OXAGUIÃ jovem guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ). OXALÁ é alheio a toda violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. Sua cor é o branco e o seu dia é a sexta-feira. Seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a OXALÁ os metais e outras substâncias brancas.

Na África, todos os Orixás relacionados a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá(Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado cmo Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil a quantidade se reduz significativamete, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oxalufã), Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó(Oxaguiã), tornaram-se suas expressões mais conhecidas.

A designação de Orixá Fun Fun se deve ao fato de a cor branca configurar-se como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O brando representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu orígem a palavra Oxalá, e com esse nome o grande Deus-pai passoua ser conhecido no Brasil. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades de suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este último, jovem e grerreiro, filho do primeiro mais velho e paciencioso.

Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres, todas as coisas que existiríam no mundo.

A maior interdição de Oxalá é de fato o azeite-de-dendê, que jamais deve macular suas roupas, seus objetos sagrados, e muito menos o seu Alá. A ú nica coisa vermelha que Oxalá permite, é a pena de Ikodidè, prova de sua submissão ao poder genitor feminino.

Epó kété ó, Alà telè ó
Epó kété ó, Alà telè ó...

Evite o dendê, evite pisar no Alá
Evite o dendê, evite pisar no Alá.

O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado a concepção de cada ser; é a síntese do poder criador masculino. Sua função primeira já remete ao seu significado profundo. A ação de cobrir não evoca somente proteção, zelo, denota a atividade masculina no ato sexual.

No Xirê Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as orígens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Exú, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o meso teto, o grande Alá que nos cobre e protege, o céu.

 

 

 

 

 

Orixá guerreira, considerada até como uma Iansã velha. Senhora do rio Obá, na Nigéria, patrocinadora de conflitos, energia que se desenvolve nos coriscos. Mulher de Xangô.

Na natureza, Obá está ligada às enchentes, às cheias dos rios, às inundações. É ela quem vai reger todos esses fenômenos, sejam naturais ou provocados por erros humanos. Seu encantamento é feito desta forma, quando um rio transborda, inundando tudo.

Obá está presente também nos coriscos, poder que lhe foi dado pelo marido Xangô, pois ela também tem ligação com a energia elétrica, a eletricidade. É poderosa, sábia, madura e realista.

Na vida dos seres humanos, Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, o ciúme, a incapacidade do homem de ter aquilo que ama e deseja. Obá é a raiva, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono.

Obá é também a frustração do homem e da mulher. Embora a lenda diga ser Obá uma guerreira, vencedora, ela consegue seu encantamento nas desilusões e frustrações, na derrota.

Pela lenda, Obá foi enganada por Oxum, que a levou a corta sua própria orelha para oferecer a Xangô, Ele, num gesto de repugnância, expulsou-a de seu reino. E toda essa dor, essa desesperança, esse abandono, ficou com marca registrada de Obá, e tais sentimentos tem a sua regência. Quando nos sentimos traídos, abandonados, sem esperança, com raiva, frustrados em nossos objetivos, desencadeamos essa força da natureza chamada Obá, que mexe no nosso interior. E a lógica diz que Obá é a "ultima gota", que faz transbordar nossos sentimentos. Daí sua regência também nas enchentes e inundações. É um ato de excesso, de excesso, de explosão, de revolta, desencadeado por esta força cósmica. Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar "aquilo que já não cabe mais". Isso é Obá, essa é a sua regência, seus encantamento, sua influência.

Obá é o desabafo: " já não suporto mais..." , é a agitação do sentimento indevidamente mexido, afetado por algo ruim.

 

 

 

O Orixá Ewá é uma bela virgem que entregou o seu corpo jovem a Xangô, marido de Oya, despertando a ira da rainha dos raios. Ewá refugiou-se nas matas inalcançáveis, sob a protecção de Oxóssi, e tornou-se uma guerreira valente e caçadora habilidosa.

As virgens contam com a protecção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua protecção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Em África, o rio Yewá é a morada desta deusa, mas a sua origem gera polémica. Há quem diga que, tal como Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi, foi assimilada pelos Iorubas e inserida no seu panteão. Havia um Orixá feminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força desse Orixá estava concentrada numa cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina.

Ewá teria o mesmo significado de Dan ou uma das suas metades – A outra seria Oxumaré. Existem no entanto, os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia Nagô, sendo originária na cidde de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o panteão Jeje – No qual o Vodun Eowa, seria o correspondente da Ewá dos Nagô -Confundem Ewá com uma qualidade de Iemanjá. Erram porque Ewá é um Orixá independente, mas a sua origem não se esclarece sequer entre os Jeje, pois em respeitados templos de Voduns se afirma que Eowa é Nagô.

Eowá foi uma cobra muito má e por isso foi mandada embora. Acabou por encontrar abrigo entre os Iorubas, que a transformaram numa cobra boa e bela, – A metade feminina de Oxumaré. Por esse motivo, Oxumaré e Ewá, em qualquer ocasião, dançam juntos.

 Iemanja

cansada de viver com Odudua, pai dos seus dez filhos, Iemanjá resolveu partir para o oeste, à procura de novos horizontes. Lá vivia Okerê, o rei da região, conhecido pela sensatez. Quando viu chegar a bela orixá das águas salgadas, o rei se apaixonou e lhe propôs casamento. Iemanjá aceitou o pedido com uma condição. “Nunca me humilhe pelo tamanho de meus seios. Nunca o perdoarei por isso”, disse ela. Iemanjá tinha vergonha de seus seios grandes, caídos de tanto amamentar. Okerê concordou com a estranha condição e realmente a tratava com amor e respeito. Mas um dia, após se embriagar com vinho de palma, Okerê voltou para casa cambaleante, tropeçou na esposa e a derrubou. Irada, a orixá o chamou de bêbado e imprestável. O rei se esqueceu da sua promessa e gritou: “Quem é você para me dizer isso? Você, uma mulher de seios murchos e caídos? Você, com os peitos trêmulos e balouçantes?” Ofendida, Iemanjá partiu em direção ao mar, onde morava sua mãe, Olukum, a rainha dos oceanos. No caminho, se transformou num rio para desembocar ainda mais rápido no mar. Desesperado, Okerê foi a seu encalço e virou uma montanha, tentando barrar a passagem da esposa. Iemanjá desviou o rio para a direita, para a esquerda, mas não conseguiu passar. Pediu ajuda, então, a seu filho Xangô, o senhor da justiça, que mandou raios e partiu a montanha em duas. Assim, Iemanjá chegou ao mar, onde vive com sua mãe. Seus filhos até hoje lhe mandam presentes no fim do ano para aliviar sua solidão.

Exu

Exu é o mais sutil e o mais astuto de todos os orixás. Ele aproveita-se de suas qualidades para provocar mal-entendidos e discussões entre as pessoas ou para preparar-lhes armadilhas. Ele pode fazer coisas extraordinárias como, por exemplo, carregar, numa peneira, o óleo que comprou no mercado, sem que este óleo se derrame desse estranho recipiente! Exu pode ter matado um pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje! Se zanga-se, ele sapateia uma pedra na floresta, e esta pedra põe-se a sangrar! Sua cabeça é pontuda e afiada como a lâmina de uma faca. Ele nada pode transportar sobre ela. Exu pode também ser muito malvado, se as pessoas se esquecem de homenageá-lo. É necessário, pois, fazer sempre oferendas a Exu, antes de qualquer outro orixá. A segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. É bom fazer-lhe oferendas neste dia, de farofa, azeite de dendê, cachaça e um galo preto.

Certa vez, dois amigos de infância, que jamais discutiam, esqueceram-se, numa segunda-feira, de fazer-lhe as oferendas devidas. Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, separadas apenas por um estreito canteiro. Exu, zangado pela negligência dos dois amigos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira. Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. Depois, seguiu o canteiro, chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e, muito educadamente, cumprimentou-os: "Bom trabalho, meus amigos!" Estes, gentilmente, responderam-lhe: "Bom passeio, nobre estrangeiro!" Assim que Exu afastou-se, o homem que trabalhava no campo à direita, falou para o seu companheiro: "Quem pode ser este personagem de boné branco?" "Seu chapéu era vermelho", respondeu o homem do campo à esquerda. "Não, ele era branco, de um branco alabastro, o mais belo branco que existe!" "Ele era vermelho, um vermelho escarlate, de fulgor insustentável!" "Ele era branco, tratas-me de mentiroso?" "Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?"

Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança do outro. Irritados, eles agarraram-se e começaram a bater-se até matarem-se a golpes de enxada. Exu estava vingado! Isto não teria acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido negligenciadas. Pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com consideração e generosidade. Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu. É preparar-lhe um golpe mais astuto que aqueles que ele mesmo prepara.

Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus campos estavam áridos, a chuva não caía. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores. Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos. Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode. Exu comeu com apetite desta excelente oferenda. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Exu teve sede. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede! Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena. A chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no dia seguinte e no dia de depois, sem parar. Os campos de Aluman tornaram-se verdes. Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória:

"Joro, jara, joro Aluman, Dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de feijão, inhame e mandioca! Joro, jara, joro Aluman!"

E as ranzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. havia chovido bastante. Mais, seria desastroso! Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.

 

 

Os Angolas e os Congos, que cultuam os antepassados, contam

uma história sobre esse Inkice (Orixá). Relatam que ele era

um homem muito agitado, que resolvia varias coisas ao mesmo

tempo e que realiza varias tarefas de uma só vez.

Reclamava, entretanto, que o dia era muito pequeno e que não

conseguia realizar tudo aquilo que desejava, nos prazos

estabelecidos por ele mesmo. Reclamava demais. Cobrava de

Zambi (Oxalá nas nações Angola e Congo) ter nascido

lento e incapaz de realizar tudo o que pretendia, mesmo que,

a realidade, fosse um homem forte, veloz, astuto e

competente. Mesmo assim, não se considerava

capacitado para realizar seus objetivos e acusava Zambi

de ter feito o dia muito pequeno.

Um dia, Zambi lhe disse:

- Você e muito afoito. Parece que errei em sua criação, pois

você não se conforma com o eu feito.

E ele retrucou a Zambi:

- Não tenho culpa se o Senhor, Pai, fez o dia tão pequeno. As

horas são tão miúdas que não dá tempo para realizar tudo

aquilo que planejo!

E Zambi, aborrecido, mas admirado pela coragem do seu

filho, determinou então:

- Já que você considera que o tempo é pequeno, passará,

então,a controlá-lo e administrando o verão, o inverno,

o outono e a primavera. Andará, então, pelo fogo, pela

água, pela terra e pelo ar. Não terá, mas problemas

de tempo. Será, então conhecido com Tempo e regerá

os movimentos da Natureza.

E, na terra, o povo clama o seu Inkice entoando a cantiga:

 

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para trabalhar...

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para comer...

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para beber...

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para viver...”

 

 

 

 Xangô e Iansã tiveram filhos gêmeos, os Ibejis.  As crianças eram lindas e cresciam fortes para alegria e orgulho de seus pais.  Houve, porém, na cidade em que viviam, uma peste avassaladora que infectava e matava crianças em poucas horas.
Para desespero de Iansã, um dos gêmeos foi vitima da doença e morreu sem que ninguém pudesse fazer nada para salvá-lo.
Iansã, a partir desse dia, entrou em profunda depressão, a vida já não apresentava motivos para seguir adiante. Soprou o vento que sempre trazia, para longe e já não comandava as grandes tempestades que passaram a destruir de forma implacável todas as terras.  Em um de seus desvarios, arrumou um boneco de madeira e vestindo-o de maneira esmerada, colocou-o num lugar de honra em sua casa. Era o canto sagrado que ninguém podia transpor apenas ela podia ali entrar acompanhada de sua mágoa e dor.
Todos os dias entregava um pequeno presente aos pés da imagem e chorava copiosamente enquanto conversava como se fosse seu pequeno filho. Olorum, ao ver tamanha tristeza, teve tanto dó da mãe sofredora, que uma lágrima pura e límpida caiu de seus olhos exatamente sobre a cabeça do boneco. A pequena gota mágica fez o menino reviver e Iansã teve seu filho de volta.
Ainda hoje os Ibejis com sua alegria infantil. correm pelos jardins do Orum, sempre observados com doçura pelo amoroso olhar materno da grande guerreira. 
Oni Beijada! 
 

 

 

 

Oxaguiã era o filho de Oxalufã.

Ele nasceu em Ifé, bem antes de seu pai tornar-se o rei de Ifan.
Oxaguiã, valente guerreiro, desejou, por sua vez, conquistar um reino.
Partiu, acompanhado de seu amigo Awoledjê.
Oxaguiã não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tornou-se Elejigbô (Rei de Ejigbô). Oxaguiã tinha uma grande paixão por inhame pilado, comida que os iorubás chamam iyan. Elejigbô comia deste iyan a todo momento; comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo durante a noite, se sentisse fazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida, era sempre iyan que devia ser-lhe servido.
Chegou ao ponto de inventar o pilão para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania, os outros orixás deram-lhe um cognome: Oxaguiã, que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado.
Awoledjê, seu companheiro, era babalaô, um grande advinho, que o aconselhava no que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oxaguiã oferecer: dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante; duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele seguisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta, tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes.
Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era arrodeada de muralhas com fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.
Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores. Quando falava-se dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito. Era a expressão Kabiyesi, isto é, Sua Majestade, que deveria ser empregada.
Ao cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu, familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia.
Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babalaô para remediar esta triste situação. "Kabiyesi, toda esta infelicidade é consequência da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo, Kabiyesi! É preciso obter o seu perdão!"
Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse.
"Muito bem! - respondeu-lhe. Eu permito que a chuva caia de novo, Oxaguiã, mas tem uma condição: Cada ano, por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cortar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos, deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou quebrem-se".
Desde então, todos os anos, no fim da sêca, os habitantes de dois bairros de Ejigbô, aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia, em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair.
A lembrança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva, tanbém, na Bahia.
Por ocasião das cerimônias em louvor a Oxaguiã, as pessoas batem-se umas nas outras, com leves golpes de vareta... e recebem, em seguida, uma porção de inhame pilado, enquanto Oxaguiã vem dançar com energia, trazendo uma mão de pilão, símbolo das preferências gastronômicas do Orixá "Comedor-de-inhame-pilado."
 
Oxaguiã (Òrìsa Ògiyán) é um orixá funfun jovem e guerreiro, carrega arco e flecha, pois pode buscar alimentos na florestas.É com Oxaguiã que se encerra o ciclo das festas de Oxalá com a festa do Pilão de Oxaguiã ( ojó odo)- o dia do pilão.É um orixá relacionado com o sustento do dia a dia, gosta de mesa farta.Seu sustento vem do fundo da terra ou da floresta. Ele detém todas as armas as usa para alcançar seus objetivos, que é dar para quem tem fome e até tomar de quem tem muito e não tem fome..Oxaguiã é o provedor, é o guerreiro da paz. Nunca entra numa batalha para perder, sempre ganha.e
Oxaguian "o moço" na sua forma "guerreira" de Oxalá que carrega uma espada, cheio de vigor e nobreza, seu templo principal é em Ejigbo, onde ostenta o título de Eléèjìgbó, rei de Ejigbo.
 
 

 
  NANÃ

 

Entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, existe um portal. É a passagem, a fronteira entre a vida e a morte.Sua regente: Nanã. Senhora da morte, geradora de Iku (morte). Deusa dos pântanos e da Lama. Mãe da varíola, regente das chuvas, Nanã é de origem Jeje, da religião da Dassa Zumê e Savê, no Daomé, hoje conhecida com República de Benin.

A mais temida de todas os Orixás. A mais respeitada. A mais velha, poderosa e seria. Nanã é o encantamento da própria morte. Seus cânticos são súplicas para que leve Iku – a morte – para longe e quem permite que a vida seja mantida.

É a força da Natureza que o homem mais teme, pois ninguém quer morrer! Ela é a Senhora da passagem desta vida para outras, comandando o portal mágico, a passagem das dimensões.

Nas casas de Santo, Nanã é extremamente cultuada e temida, pelo poder que ostenta. É ela a mãe da varíola e se faz presente quando existe epidemia da doença.

Nanã também está presente nos lodaçais, lamaçais, pois nasceu do contanto com água com a terra, formando a lama, dando origem à sua própria vida. Em terras da África, Nanã é chamada de Iniê e seus assentamentos (objetos sagrados) são salpicados de vermelho.

Nanã é lama, é terra com contato com a água. Nanã também é o pântano, o lodo, sua principal morada e regência.

Ela é a chuva, a tempestade, a garoa. O banho de chuva, por isso, é uma espécie de lavagem do corpo, homenagem que se faz à Nanã, lavando-se no seu elemento. Por isso, não devemos blasfemar contra a chuva, que muita vezes estraga passeios, programas, compromissos, festas e acontecimentos. A chuva é a parte da vida, que vai irrigar a terra, Se ela cai demais, é porque a força da Natureza, Nanã, está insatisfeita. E, amigo... queira ver tudo, mas não queira ver a ira de Nanã. Posso lhe assegurar que não existe nada mais feio!

Considerada a Iabá (orixá feminina) mais velha, foi anexada pelos iorubanos nos rituais tal a sua importância. Nanã é a possibilidade de se conhecer a morte para se ter vida. É agradar a morte, para viver em paz. Nanã é a mãe, boa, querida, carinhosa, compreensível, sensível, bondosa, mas que, irada, não reconhece ninguém.

Nanã é o Orixá da vida, que representa a morte. E a isso devemos o máximo respeito e carinho

 

 

 

 

 

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua acção eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade.

Em África, a sua morada é a árvore iroko, Milicia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa. É uma árvore majestosa, encontrada da Serra Leoa à Tanzânia, que atinge 45 metros de altura e até 2,7 metros de diâmetro.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.
Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ylê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo, nem ser “feito” na cabeça dos fiéis. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio.

Iroko é um Orixá pouco cultuado tanto no Brasil como em Portugal, e os seus filhos também são muito raros. Os seus filhos, no entanto, são sempre muito protegidos pelo seu Orixá.

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